Principais responsáveis pelas mortes no trânsito
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Não, você não entendeu errado!
No Brasil, o uso do celular ao dirigir já é o segundo maior responsável pelos acidentes fatais no trânsito. Na Espanha o celular ocupa o primeiríssimo lugar no ranking das mortes.
- Alta velocidade — a velocidade aumenta significativamente a probabilidade de colisão e, principalmente, a gravidade das lesões. A velocidade é considerada um dos fatores mais importantes em mortes no trânsito.
- Uso do celular / distração por dispositivos — o uso do celular (incluindo falar) entrou para as primeiras posições em estatísticas modernas, sendo responsável por uma parcela significativa de acidentes e lesões. Em 2023, colisões afetadas por distração compuseram cerca de 8% dos acidentes fatais nos EUA e 13% dos acidentes com feridos; somando cerca de 324.819 feridos naquele ano.
- Álcool e drogas — ainda um fator-chave (o GSRRS 2023 estima que cerca de 10% das mortes no trânsito estejam ligadas ao álcool), com grande papel em acidentes letais.
Esse ranking não é absoluto — em muitos países alta velocidade e álcool lideram as estatísticas, mas a distração por celular vem crescendo rapidamente e já rivaliza com as causas clássicas em número de incidentes.
Aumento no tempo de reação do condutor
Fonte: Estradas.com.br
35%
12%
Isso significa que um condutor que olha para o celular enquanto dirige a 50-60 km/h, percorrerá uma distância similar a de um campo de futebol, sem perceber o que acontece à sua frente.
- Estudos do Transport Research Laboratory (TRL) mostraram que escrever mensagens aumentou o tempo de reação em cerca de 35%, enquanto beber até o limite legal resultou em um aumento de reação da ordem de 12% — ou seja, digitar enquanto dirige pode atrasar a reação bem mais que a embriaguez ao nível legal.
- Uma pesquisa clássica (Strayer et al., 2006) comparou desempenho de condutores em celular e sob efeito do álcool e concluiu que o efeito cognitivo da conversa telefônica (ou digitação) pode ser tão prejudicial quanto dirigir embriagado, especialmente por fragmentar atenção e percepção — o que não é totalmente mensurável só pelos reflexos.
Em termos práticos: enquanto o álcool tende a reduzir coordenação motora e julgamento, o celular afeta principalmente a atenção e a percepção — isto é, você pode “reagir” mais lentamente porque sua mente está em outro lugar, não apenas porque seu corpo está mais lento. Isso torna o risco do celular singularmente traiçoeiro.
Por que o celular pode ser pior que a embriaguez em certos aspectos?
- Distração cognitiva profunda: quando se escreve ou conversa, uma parte significativa da atenção consciente fica ocupada — enquanto o bêbado ainda “tem” a atenção no ambiente, mesmo que prejudicada.
- Tríade da distração: o celular reúne distração visual (olhos fora da estrada), manual (mãos fora do volante) e cognitiva (mente longe da tarefa) — o efeito combinado amplifica o risco.
- Subestimação social: dirigir embriagado é amplamente percebido como perigoso (e estigmatizado). Mexer no celular ao volante é socialmente banalizado, levando a maior exposição e repetição do risco. Isso aumenta o impacto real do fenômeno a nível populacional.
A distração que subestima o perigo
Comparar velocidade, celular e álcool ajuda a priorizar ações: a velocidade mata pela energia do impacto; o álcool pelo julgamento e coordenação; o celular pela perda da atenção — e essa perda, por sua frequência e insidiosidade, já coloca o uso do celular entre os maiores fatores de risco de acidentes de trânsito.
A ciência mostra que falar/ digitar no celular pode de fato retardar as reações do condutor — e os números de feridos e mortos ligados à distração são alarmantes.
Portanto, agir é urgente.
AO DIRIGIR, NÃO USE O CELULAR
Nenhuma mensagem vale mais do que sua vida