Usamos expressões populares todos os dias sem sequer pensar de onde elas vieram, e raramente paramos para imaginar a história curiosa por trás dessas frases tão comuns no idioma brasileiro.
Muitas dessas expressões nasceram no campo, em costumes antigos, no trabalho rural, na vida simples do povo ou até em acontecimentos históricos esquecidos pelo tempo. Vamos descobrir o significado e a origem de algumas das expressões populares mais conhecidas da língua portuguesa, e perceber que, por trás de cada uma delas, existe muito mais história do que parece.
Amigo da Onça
Alguém que sempre leva vantagem. A expressão foi popularizada pelo chargista Péricles Andrade Maranhão que, de 1943 a 1961, publicou O Amigo da Onça na revista O Cruzeiro, personagem que sempre levava vantagem sobre os outros e colocava os amigos em situações embaraçosas.
Tema: Provérbios
Elefante branco.
Algo incômodo que não pode ser recusado. Segundo Ari Riboldi em seu livro o Bode Expiatório, no antigo reino do Sião (Tailândia), o elefante branco era uma animal sagrado que deveria ser dado ao rei quando encontrado. O rei, por sua vez, presenteava os membros da corte com esses raros animais. Apesar do custo e do trabalho para cuidar de um elefante, o presente não podia ser recusado.
Tema: Provérbios
Pagar o pato.
Pagar a conta, arcar com as consequências. Vem da obra Facetiae, do italiano Giovanni Bracciolini (1380-1459). O texto conta a história de um camponês que vendia patos e certa vez uma mulher queria pagar os animais por meio de encontros sexuais, mas o marido dela descobriu antes, pagou o pato com dinheiro e encerrou a questão.
Tema: Provérbios
Chutar o balde.
Encerrar uma situação, mandar “às favas”. Não há comprovação histórica, mas acredita-se que a origem desta expressão está ligada às execuções na forca. Os condenados ficavam em pé com a corda no pescoço sobre blocos que eram retirados (chutados) para executar o enforcamento.
Tema: Provérbios
Rodar a baiana.
Causar confusão ou brigar com alguém. Originou-se no carnaval carioca, no início do século 20. Como naquela época malandros aproveitavam a folia para apalpar as moças que desfilavam, capoeiristas passaram a se fantasiar de baianas e a golpear os abusadores. Quem estava de fora só via a “baiana rodar” e não entendia nada.
Tema: Provérbios
Colocar a mão no fogo (por alguém).
Atestar a confiança em alguém. A expressão vem da Inquisição, quando os acusados por heresia eram obrigados a carregar uma barra de ferro quente com as mãos envolvidas em estopa. Se as mãos estivessem queimadas ao retirar a estopa, o destino era a forca.
Tema: Provérbios
Segurar a vela.
Vigiar ou acompanhar um casal de namorados. Na Idade Média, as pessoas menos experientes seguravam uma vela para que os mais velhos executassem qualquer tipo de trabalho braçal no escuro. Na França, os criados eram obrigados a segurar candeeiros enquanto seus patrões mantinham relações sexuais.
Tema: Provérbios
Bode expiatório.
Receber a culpa por algo que não fez. No ritual de purificação dos hebreus (Levítico cap 16), eles usavam dois bodes: um era sacrificado e seu sangue aspergido no santuário. O outro, vivo, se tornava o bode expiatório, que era abandonado no deserto para que todo o mal permanecesse longe do povo, pois carregava simbolicamente todos os pecados dos filhos de Israel.
Tema: Provérbios
Puxa saco.
Indivíduo interesseiro. A expressão, que surgiu nos quartéis brasileiros, era o apelido dado aos soldados de baixo escalão que tinham a obrigação de levar os sacos de suprimentos de seus superiores durante as viagens e campanhas.
Tema: Provérbios
Terminar em pizza.
Algo errado que termina sem punição. A expressão nasceu na década de 1960 a partir de uma manchete de Milton Peruzzi na Gazeta Esportiva: “Crise do Palmeiras termina em pizza”, porque uma reunião de 14 horas entre os dirigentes acabou numa pizzaria e sem solução.
Tema: Provérbios
Pé rapado.
Pessoa pobre, sem recursos. Origina-se do fato de que nas igrejas havia uma cantoneira de ferro para raspar a lama dos sapatos. Só os pobres tinhas os pés sujos de lama porque vinham a pé. Ricos vinham a cavalo ou de charrete.
Tema: Provérbios
Sem eira nem beira.
Pessoa pobre, sem recursos. No passado “eira” era o terreno onde se secava os grãos e “beira” era a aba do telhado. Portanto, significava uma pessoa que não tinha nem terras e nem teto.
Tema: Provérbios
Encher o bucho.
Encher a barriga, comer bem. No Brasil colonial “buchos” eram buracos nas pedras dentro das minas, que deveriam ser enchidos de ouro pelos escravizados. Quem não conseguia encher comia só meia tigela.
Tema: Provérbios
Lavar a égua.
Ter sorte, se dar bem. Antigamente os escravizados escondiam ouro na crina do animal para depois lavá-lo e recuperar o ouro.
Tema: Provérbios
Santo do pau oco.
Pessoa que finge ser boa. No Brasil colônia, mineradores escondiam ouro em pó dentro de santos de madeira ocos, para fugir do imposto de 20%.
Tema: Provérbios
Custar os olhos da cara.
Algo muito caro. Em 1524 o conquistador espanhol Diego de Almagro perdeu um olho ao invadir uma fortaleza inca. De volta à Espanha, disse ao rei: “Defender os interesses da Coroa me custou um olho da cara”.
Tema: Provérbios
A vaca foi para o brejo.
Algo deu errado. Origina-se do fato que o gado, à procura de água, atolava no brejos em época de seca, e não conseguia sair.
Tema: Provérbios
Para inglês ver.
Enganação, promessa que não será cumprida. Em 1830 a Inglaterra exigiu que o Brasil criasse leis para coibir o tráfico de escravizados. Leis foram criadas e jamais cumpridas.
Tema: Provérbios
Dar com os burros n’água.
Fracassar. No Brasil colonial os burros eram os principais meios de transporte. Ao atravessar os rios, alguns burros se agitavam e perdiam toda a carga, sendo esse o fracasso mais temido pelos tropeiros.
Tema: Provérbios
Engolir sapo.
Aguentar algo humilhante sem reclamar. A expressão se origina no século XVII em Portugal, e significa aceitar algo revoltante por não haver outra alternativa.
Tema: Provérbios
A cobra vai fumar.
Durante a 2ª Guerra Mundial, o governo brasileiro presidido por Getúlio Vargas ora se aproximava dos Estados Unidos, ora da Alemanha nazista. Na época, era comum ouvir que seria mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra. Mas entramos (do lado certo), e como resposta à provocação, os soldados da Força Expedicionária Brasileira adotaram como símbolo um escudo com uma cobra fumando.
Tema: Provérbios
Fazer uma vaquinha.
Arrecadar dinheiro para pagar alguma despesa. Na década de 1920, os torcedores do Vasco costumam arrecadar dinheiro para distribuir aos jogadores em caso de vitória. O valor dos prêmios eram inspirados no jogo do bicho, e o mais cobiçado era a “vaca”, que representava 25 mil réis e só era pago em caso de vitórias históricas.
Tema: Provérbios
Chorar as pitangas.
Ato de se queixar ou se lamentar. Segundo Câmara Cascudo no livro Locuções Tradicionais do Brasil, essa frase está associada à expressão portuguesa “chorar lágrimas de sangue”. A pitanga se assemelharia a uma lágrima e sua cor vermelha remeteria ao sangue.
Tema: Provérbios
Arroz de festa.
Pessoa que não perde um evento. Existem duas explicações etimológicas: 1) a tradição de jogar arroz nos noivos e 2) o arroz doce que era presença obrigatória nas festas do século XIV.
Tema: Provérbios