Olavo Bilac

(1865-1918)
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu em 1865, no Rio de Janeiro, e faleceu em 1918. Foi poeta, jornalista e um dos principais representantes do Parnasianismo no Brasil, conhecido pelo rigor formal, musicalidade e culto à beleza estética. Além da produção literária, destacou-se como intelectual público, defensor da educação, do serviço militar obrigatório e da valorização da língua portuguesa. É autor do famoso poema Ouvir Estrelas e foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 15.
Para experimentar Octávio, o mestre
Diz: “Já que tudo sabe, venha cá!
Diga em que ponto da extensão terrestre
Ou da extensão celeste Deus está!”

Por um momento apenas, fica mudo
Octávio, e logo esta resposta dá:
“Eu senhor mestre, lhe daria tudo,
Se me dissesse onde é que ele não está!”
1904
Poesias Infantis
A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha!…
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.

Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pálida e fria,
Depois de tanta canseira:
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.

Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala…
Entram rindo e papagueando:
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando…

A velha acorda sorrindo.
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.

Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos doirados.

Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita:
“Ó vovó! conte uma história!
Conte uma história bonita!”

Então, com frases pausadas,
Conta histórias de quimeras,
Em que há palácios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas…

E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
— Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem…
1904
Poesias Infantis
A Mocidade é como a Primavera!
A alma, cheia de flores, resplandece,
Crê no Bem, ama a vida, sonha e espera,
E a desventura facilmente esquece.
É a idade da força e da beleza:
Olha o futuro, e inda não tem passado;
E, encarando de frente a Natureza,
Não tem receio do trabalho ousado.
Ama a vigília, aborrecendo o sono;
Tem projetos de glória, ama a Quimera;
E ainda não dá frutos como o outono,
Pois só dá flores como a Primavera!
1904
Poesias Infantis
Salve, Sol glorioso! Ao teu clarão fecundo,
A natureza canta e se extasia o mundo.
Que tristeza, que dó, quando desapareces!
Vens, e a terra estragada e feia reverdeces;

Abres com o teu calor as sebes perfumadas;
Dás flores ao verdor das moitas orvalhadas;
Os ninhos aquecendo, as gargantas das aves
Dás gorjeios de amor, e harmonias suaves;

E, cintilando sobre os tufos de verdura,
Em cada ramo põe uma fruta madura.

A noite é como a morte; o dia é como a vida.
Ó Sol, quando te vais, a alma vaga perdida…

Os pensamentos mais são os filhos da treva:
Fogem, quando a brilhar, no horizonte se eleva
O Sol, pai do trabalho, o Sol, pai da alegria…

Salve, anúncio da Vida, e portador do Dia!
1904
Poesias Infantis
A palavra é o instrumento da alma.
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A verdadeira grandeza está na dedicação.
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Sem amor à língua não há amor à pátria.
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Ao contrário do que se diz, não é a ocasião que faz o ladrão. A ocasião faz o roubo, pois o ladrão já nasce feito.
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Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste.
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A pátria não é ninguém, são todos.
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Ouvir estrelas é privilégio de quem sabe escutar o silêncio.
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A língua é a pátria do espírito.
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Trabalhar é transformar o sonho em realidade.
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A beleza nasce da disciplina.
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A arte é o esforço humano para tocar o eterno.
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