Quem visita Portugal pela primeira vez logo percebe que os portugueses costumam interpretar as coisas exatamente como foram ditas. Sem subentendidos, sem “você entendeu o que eu quis dizer”, sem improvisos. O resultado são situações tão inesperadas quanto engraçadas para os brasileiros, acostumados a uma comunicação muito mais implícita.
Imagine perguntar a um barman: “Você tem gelo?” e ouvir um simples “Tenho”, sem que ele coloque uma única pedra no seu copo. Afinal, você perguntou se ele tinha gelo, e não pediu gelo. E é justamente desse choque cultural entre o jeito brasileiro e a literalidade portuguesa que nascem histórias memoráveis, algumas das quais apresentadas a seguir.
- Se você for ao restaurante, sua esposa pedir uma coca e você disser "duas", o garçon trará uma coca para ela e duas para você.
- Perguntei quando custava uma garrafa de vinho, e o atendente me respondeu: "não custa nada, ela já vem com o vinho".
- Na recepção do hotel perguntei se demorava muito chegar a um determinado lugar. "Se fores rápido, chegarás rápido. Se fores devagar, chegarás devagar".
- No mercado, perguntei se fechavam no domingo e a resposta foi "não". Voltei lá no domingo e estava fechado. Quetionada na segunda-feira, a pessoa respondeu: "O mercado não fecha porque não abre".
- Ao entrar num restaurante, perguntei: "Posso sentar naquela mesa?". E de pronto me responderam: "Não, pode sentar naquela cadeira".
- Chamei o elevador. Quando ele chegou, a porta se abriu e havia uma pessoa dentro. Perguntei se estava subindo ou descendo. "Ora pois, está parado".
- Certa vez eu disse que estava morrendo de fome, e meu amigo português respondeu: "Meu Deus! Quer ir ao hospital?"
- Peguei um táxi e disse ao motorista que eu gostaria de ir a Torre de Belém, e ele respondeu: "Pois vá!". Foi preciso explicar que eu queria que ele me levasse.
- Perdi um voo em Lisboa e como o próximo demorava a sair, peguei um táxi para fazer um passeio. No caminho, comentei com o motorista que eu estava ali porque havia perdido um voo, no que ele retrucou: "Como você conseguiu perder um avião daquele tamanho?"
- No avião perguntei à comissária quais eram as opções de lanche no carrinho, e ela respondeu "comida e bebida".
- Cheguei a um restaurante no final da tarde e perguntei se ainda estvama servindo o almoço, e a resposta foi "não". Como vi outros chegando e sentando, perguntei porque aquelas pessoas estavam sendo atendidas. "Ora, porque estamos a oferecer o jantar".
- Eu estava dirigindo e perguntei ao meu amigo português se a rua era sem saída. "De forma alguma, você chega ao final e podes voltar".
- Perguntei a um português se eu podia estacionar o carro em determinada vaga, e ele respondeu que sim, que ninguém me impediria, mas que eu poderia levar uma multa se estacionasse ali.
- Pedi um hamburguer num restaurante e veio só a carne. Questionei se aquilo estava certo e me respoderam: "Sim, se pedes hamburguer, é hamburguer, se pedes hamburguer com pão, vem o pão."
- No bar, perguntei ao garçon se ele tinha gelo. Ele respondeu que sim, foi embora, e não voltou com o gelo. Mais tarde, ao ser questionado, ele me disse que eu só perguntei se tinha gelo e não lhe pedi para trazer.
- Entrei num restaurante no final do dia e perguntei se estava aberto. "Ora, se entrou é porque está".
- Perguntei quanto era a diária do estacionamento, e o português me respondeu: "24 horas".