A morte do óbvio

A morte do óbvio é o primeiro sintoma da falência da razão
Texto de @virtualfilosofia

Quando Bertolt Brecht questiona “que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?”, ele não está apenas fazendo uma crítica à ignorância – ele está denunciando a perversão da consciência coletiva.
O óbvio, por definição, deveria ser aquilo que não se discute. Mas quando ele precisa ser defendido, é sinal de que a realidade foi sequestrada pela retórica, e o delírio se institucionalizou como virtude.

Nietzsche, com toda sua fúria lúcida, já havia previsto isso ao dizer: “os maiores inimigos da verdade não são as mentiras, mas as convicções.”
Quando a verdade se torna uma questão de opinião, o mundo vira uma feira de vaidades onde todo idiota se sente autorizado a competir com séculos de pensamento rigoroso.
E o mais trágico: o emburrecimento é celebrado.
A dúvida virou símbolo de sofisticação, mesmo quando dirigida ao que nunca esteve em questão.

Questiona-se a biologia, a história, a matemática, a lógica – não por refinamento intelectual, mas por puro hedonismo cognitivo. Uma geração que confunde ceticismo com ignorância ativa.
Pascal já dizia que “os homens nunca fazem o mal tão completamente e com tanto entusiasmo como quando o fazem por convicção religiosa.” Hoje, substitua “religiosa” por “ideológica” e o diagnóstico permanece: não se busca a verdade, busca-se conforto. Busca-se pertencer, ainda que isso exija assassinar o bom senso.

Hannah Arendt definiu isso como a banalização do mal: a capacidade de participar de absurdos sem perceber, justamente porque tudo se tornou discurso, tudo se relativizou. A verdade virou uma questão de alinhamento tribal, não mais de evidência.
E então surge o novo tirano: não o que oprime com força, mas o que dissolve a realidade com palavras. Ele não precisa calar, basta confundir.
E quando o óbvio é destruído, o que resta é um campo fértil para manipulação, histeria e servidão voluntária.

O mais espantoso não é que tenhamos que defender o óbvio. É que muitos têm medo de fazê-lo.
Preferem ser omissos a serem “cancelados”, preferem se passar por covardes a serem chamados de “intolerantes”.
Como diria Spinoza, “o medo é o afeto que mais facilmente subjuga a razão.” Esses tempos não são apenas estranhos. São perigosos. Porque quando o óbvio precisa ser explicado, o irracional já venceu o debate – e agora quer vencer o poder.
E talvez já tenha vencido.

Veja mais da mesma categoria:

VEJA TAMBÉM

O caso do sorvete de baunilha

Um clássico mundial da qualidade, engenharia e atendimento ao cliente

25 provérbios alemães

A fábula dos 2 lobos

Uma história sobre os 2 lobos que habitam em todos nós

13 provérbios africanos

38 ideias sobre motivação

A maldição do holandês voador

A lenda do navio fantasma condenado a cruzar os mares pela eternidade

29 frases de Ayn Rand

Carrinho de compras0
Não há produtos no carrinho!
0

SOBRE O USO DE IA

O Virágom é feito por gente que usa IA

O site utiliza ferramentas de inteligência artificial como apoio à pesquisa, organização, análise e revisão de conteúdos. Todo conteúdo publicado é produzido e/ou submetido a revisão editorial humana.

No caso de citações e frases atribuídas a autores, a inteligência artificial pode ser utilizada como ferramenta de pesquisa e verificação, mas a atribuição é analisada com base em fontes documentais e bibliográficas disponíveis. A utilização de IA como ferramenta de pesquisa não significa que uma frase tenha sido criada pela IA.

Quando a inteligência artificial participar de forma substancial da elaboração de um conteúdo, isso será indicado individualmente, na própria página.

Para mais informações veja os nossos Termos de Uso